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26 de Outubro de 2009
É assim até aqui !
Carlos Bratke
Gostaria eu de bem descrever o interlúdio entre o desejo dos homens e a finalização do projeto. As peregrinações imaginárias indescritíveis como se passássemos uma noite de sonhos e pesadelos, que resultam no etéreo quadro de uma possível solução plástica. A alma se agita e grita como num gesto pretensioso, onde a figura do homem primordial ressurge brandindo seu cajado como se houvesse ganho uma luta, derrotado um bisão ou conquistado seu par amoroso. Não há palavras que emanem claras e objetivas, mesmo quando debruçados longamente tentando remexer o inconsciente, nos indagando como surgiu e se desenvolveu o raciocínio que nos fez escolher determinada imagem, parecendo antigo o pedido do, assim chamado, cliente.
Neste projeto o gesto domina a composição. Apenas uma singela curva, nada mais. Uma marca. Um golpe na paisagem, como sempre é a interferência de uma construção no sítio que temeroso parece nos aguardar. Um golpe que precisa ser amainado, silencioso, firme e seguro ao mesmo tempo generoso com a paisagem. Essa é a responsabilidade do arquiteto. Nosso lado não profissional. Luta na tentativa da sobrevivência, atendimento e as questões mercadológicas e nossas convicções.
Em conjunto, São Paulo é uma cidade feia dominada por intermediários e não pelos reais interpretes do inconsciente coletivo. Qual é o significado do estúpido jargão “custo benefício” ?
Que benefícios tem o mercado imobiliário dado a cidade como um todo? O que herdarão as futuras gerações desses interesses puramente pecuniários?
Por favor, deixo-nos criar livremente, escancarem os corações, acreditem no arquiteto brasileiro. Não importam nossos vilipendiados honorários, sabemos passar fome, noites, sábados, domingos e feriados varados no trabalho e entusiasmo como um adolescente que conquista a namorada. Por favor, respeitem a cidade, a continuidade de morte e vida, morte e vida ...
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Kely Couto 01 de Fevereiro de 2010 e uma visao pessimista mas muito poetica 1 |